Fazer tratamento canal no dente
Você já sentiu aquela pontada aguda ao tomar um café quente ou ao morder um pedaço de pão um pouco mais crocante? Muitas vezes, olhamos no espelho, verificamos se há algum dente quebrado e, ao não encontrar nada óbvio, descartamos a preocupação. O problema é que a estrutura dentária esconde segredos que a olho nu são praticamente indetectáveis. As microfissuras no esmalte funcionam como rachaduras silenciosas em uma represa: elas não explodem de um dia para o outro, mas, com o tempo, comprometem toda a integridade da estrutura.
O peso silencioso do hábito noturno Durante uma consulta recente, atendi um paciente que insistia que sua dor era apenas uma “sensibilidade passageira”. Ele descreveu acordar com uma leve tensão na mandíbula e um cansaço muscular que, segundo ele, era apenas o reflexo de um dia longo. No entanto, ao utilizar uma luz de alta potência e um espelho de aumento intraoral, o diagnóstico foi claro: o esmalte de seus molares estava repleto de pequenas linhas verticais.
Ele sofria de bruxismo noturno, um hábito de parafunção que exerce uma pressão descomunal sobre os dentes. O esmalte é a substância mais dura do corpo humano, superando até mesmo o osso em resistência. Contudo, ele é notavelmente quebradiço. Quando apertamos ou rangemos os dentes involuntariamente, forçamos essa camada rígida além de seus limites elásticos. O resultado não é uma fratura catastrófica imediata, mas sim uma rede de microfissuras que se aprofundam a cada noite de tensão. É um desgaste invisível que abre caminho para a infiltração de bactérias e ácidos.